quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Dar dinheiro só não basta

Durante oito anos, nas décadas de 60 e 70, trabalhei em uma ONG de serviço social que trabalhava com famílias carentes nas favelas de Belo Horizonte.


Semelhante ao programa Bolsa Família, o programa consistia em se complementar a renda familiar com dinheiro. Tal como o Bolsa Família, os recursos recebidos variavam de acordo com o número de filhos e era exigido que as criança frequentassem a escola.


Além disto havia uma equipe que visitava mensalmente .cada família assistida para garantir que as crianças estavam frequentando a escola, davam orientações sobre economia doméstica, princípio nutrição e básicos de saúde.


Além disto, a ONG proporcionava às famílias assistidas atendimento médico e odontológico.


Pretendíamos, com este programa, promover a inclusão social destas pessoas carentes, da mesma forma que o Programa Fome Zero se propunha.


Apesar de termos feito muito para minorar as necessidades de milhares de crianças, provendo melhor alimentação e oportunidade de estudo, constatamos que objetivo da inclusão social não era alcançado. Tal como o Bolsa Família, o número de assistidos aumentava em lugar de diminuir. Os filhos dos assistidos acabavam por ter de entrar no programa pois se encontravam em situação de risco e de pobreza tal como seus pais.


Nem os pais nem os filhos tinham aprendido uma profissão. Continuavam, apesar da escola, mão de obra não qualificada. Muitos se tornavam pais na adolescência e tinham que parar de estudar para sustentar os filhos que iam nascendo. As mães solteiras continuavam a morar com os pais e as condições de moradia se tornavam mais precárias.


As pessoas se tornaram dependentes do dinheiro recebido. Esta dependência passava de pai para filho. Depois de uma década, caso o auxílio fosse suspenso, a família retornava ao estado de extrema penúria de antes.


Depois que saí da organização soube que o programa estava sendo reformulado. Pequenos negócios comunitários estavam sendo formados, como padarias, para que os assistidos pudessem aprender uma profissão e gerar mais renda com o seu trabalho.


Não entendo como com boas escolas profissionalizantes, como o SENAI, SENAC, e outros, o governo não pensou ainda em aliar o programa emergencial do Bolsa Família com programas de profissionalização, com programas de financiamento de pequenas empresas paras os assistidos.


Um programa só é valido se promover a inclusão social do assistido, e for um programa que devolva a dignidade daqueles que vivem na miséria.
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2 comentários:

Full disse...

Concordo plenamente com sua opinião!

É preciso ensinar a pescar como fez o mestre!

Quem espera o peixe sentado, nunca aprenderá a pescar.

Zilda e Antonio Graça disse...

Infelizmente, creio não ser do interesse do governo a inclusão social das famílias carentes. Observo que há uma necessidade de conservar o paternalismo e manter os assistidos com as bolsas oferecidas como dependentes e eternos eleitores.