sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Filho feio não tem pai, diz o ditado popular



Reprodução do Blog do Josias

Um dia depois de ter viajado com Dilma Rousseff à região serrana do Rio, o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) disse meia dúzia de palavras sobre a tragédia.

Fixando-se nas causas, serviu-se da retórica de praxe: o excesso de chuvas, a irresponsabilidade na ocupação do solo urbano...

A certa altura, sem batizar os bois, realçou as culpas do Estado. Como que inspirado em Guimarães Rosa (sapo não pula por boniteza, mas por precisão), Cardozo disse:

“As pessoas não moram em área de risco porque querem, moram porque não têm onde morar...”

“...Aí, o Estado brasileiro, na sua história, efetivamente, falhou. E, hoje, pessoas pagam com suas vidas o peso desse conjunto de problemas".

À sua maneira, Cardozo ecoou a Dilma da véspera. Ela também afirmara que o pobre não assenta sua morada sobre alicerces de risco senão por falta de alterntiva.

A presidente acrescentara que, antes de Lula, ninguém havia se preocupado em criar um programa de moradia popular.

Dilma recordara: a última iniciativa do gênero de que se tinha notícia era o BNH (Banco Nacional de Habitação). Criado em 1964, foi à breca em 1986.

O ministro e a presidente mimetizam Lula. Há problemas? Providencie-se um retrovisor.

No primeiro reinado de Lula, a tática teve alguma serventia. No segundo, o lero-lero da omissão histórica já soava esquisito.

Sob Dilma, estão mais nítidos no retrovisor os oito anos de Lula. Só lá atrás, já meio encoberto pelo nevoeiro, vem o par de mandatos de FHC.

Assim, melhor acomodar as omissões históricas em plano secundário e trocar o retrovisor por um espelho que mostre os resposáveis pela construção do presente.

Nenhum comentário: